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O texto de I Samuel 4 é uma verdadeira desgraça. Destruição, derrota, fuga, morte, más notícias do início ao fim. Mas há no texto uma outra desgraça, mais sutil, entretanto images (11)não menos lamentável. A desgraça de dar mais importância às coisas que às pessoas.
No v. 13, vemos Eli ansioso pela arca do Senhor. Seus filhos estavam no campo de batalha, mas ele não vigiava pensando neles. Tampouco se assustou com a notícia de sua morte, mas tombou para trás e morreu quando ouviu que a arca tinha sido roubada.
No v.20, a nora de Eli acaba de ter um filho, uma herança preciosa de Deus, e nem faz caso disso. Ao invés de celebrar o que poderia ser um consolo, ela preferiu lamentar a perda da glória de Israel.
A arca da aliança era importante? Sim. Mas não o mais importante, não o principal. O zelo pela arca da aliança devia ser, na verdade, um zelo pela aliança que a arca representava. Mas não foi isso que Eli ensinou ao povo nos quarenta anos em que foi sacerdote. Suas atitudes demonstram o engano do seu coração. Para ele, bastava manter os rituais religiosos e tudo estaria certo. O relacionamento com Deus e com o próximo era uma questão secundária.
Infelizmente, muitas vezes cometemos o mesmo erro. Quantos tem sido oprimidos por sistemas religiosos que valorizam muito seus rituais e tradições, mas desprezam o amor e a misericórdia?
Em Oséias 6.6 Deus adverte seu povo: “Pois misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” E, por duas vezes, o evangelista Mateus mostra Jesus reforçando o mesmo ensino (Mt.9.13 e 12.7).
Tiago também adverte: ” A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo.” (Tg.1.27)
A igreja precisa andar na contramão do mundo que usa as pessoas e valoriza as coisas. Que nosso zelo religioso seja focado naquilo que é o principal: o Amor a Deus e ao próximo.