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Algumas religiões guardam o sábado. Outras advogam que o correto é guardar o domingo. Outras, a sexta-feira. E eu me pergunto: guardar de quê (ou de quem) e pra quê (ou pra quem)?
Essas perguntas podem gerar uma infinidade de respostas. Em Romanos 14.5 e 6a lemos:
“Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz.”

Então, na minha mente, a resposta é esta:
Eu guardo todos os dias e nenhum em particular.

De quê? Da ganância de querer trabalhar sem parar e acumular riquezas que vão se perder; da ansiedade de pensar que é apenas de mim mesmo que depende meu sustento; da autossuficiência de sentir-me a única responsável pelas minhas conquistas; da culpa de considerar que se eu parar para descansar o mundo para de girar….

De quem? De mim mesma, dos meus desejos e ambições, da cobiça, do egoísmo, da inveja e do medo que habitam o meu coração e contra os quais meu espírito luta diariamente. Do mundo, que me pressiona e me atrai com sua cultura hedonista, consumista e individualista. Do inimigo, que quer me seduzir com suas propostas de tornar-me meu próprio deus.

Pra mim, o shabbat (ou cessação do trabalho) significa descansar e libertar-me de tudo isso. Ter um tempo regular para recordar que Deus é meu Criador e fiel sustentador. E, ao lembrar-me disso, adorá-lo por seu amor e graça. Um tempo pra fazer isso individual e coletivamente. Sem medo, sem culpa, sem pressão ou obrigação. Com leveza, liberdade, sinceridade, paz e sobretudo com amor.

Pra quem faço isso? Primeiramente pra mim, já que entendo que o “sábado” foi criado por causa do homem. Necessito de descanso, de paz, de contemplação. Faço isso por minha família também. Porque precisamos estar juntos, porque necessitamos compreender que há alguém cuidando de nós, porque precisamos experimentar mais de Deus e uns dos outros. E então, faço em obediência a Deus também, não porque ele necessite disso, mas porque creio que me ama e é mais sábio que eu.

A Bíblia está cheia de orientações sobre a necessidade de descansar, entregar, confiar e lançar sobre Deus a nossa ansiedade. Muito mais que um ritual religioso, guardar um tempo regular de descanso e adoração é uma afirmação da minha confiança no seu amor e sabedoria. Todos os meus dias são dele. Trabalhando ou descansando. Na igreja, em casa ou no serviço. Meu tempo especial de descanso pode acontecer no domingo, no sábado, na segunda ou num feriado, por exemplo. Pra mim, o importante é que ele não deixe de existir. E que eu não pense que sou mais especial porque pratico isso. Especial mesmo é Jesus, que me deu uma nova vida e uma nova mente. A Graça me fez livre e isso é um grande privilégio. Sou feliz por desfrutar essa liberdade. “Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória pois a Ele eternamente. Amém!”